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quinta-feira, 17 de julho de 2014

ILPS condena o terrorismo sionista e apoia a luta do povo palestino por sua libertação


A Liga Internacional de Luta dos Povos (ILPS) condena as últimas atrocidades perpetradas por Israel contra o povo palestino e expressa apoio incondicional ao direito do povo palestino se libertar das décadas de ocupação sionista sobre suas terras. Ao mesmo tempo, a ILPS condena as potências ocidentais - dirigidas pelos Estados Unidos - por seu apoio hipócrita e sem vergonha ao regime sionista terrorista de Israel. 


A atual agressão israelense contra o povo palestino na Faixa de Gaza, desde há cinco dias, resultou na morte de quase 200 civis, centenas de civis feridos, casas, mesquitas, hospitais, escolas, sistemas hidráulicos e de combustíveis bombardeados por Israel, bem como a destruição de outras infra-estruturas. Uma alta proporção dos mortos pelas bombas e metralhadoras israelenses são crianças. Centenas de palestinos estão sendo presos ilegalmente, detidos e torturados. Os agressores sionistas estão prontos para matar mais palestinos através de bombas na Faixa de Gaza.

Na última vez que os sionistas bombardearam e invadiram Gaza, em 2008, mataram pelo menos 1,1 mil palestinos e se vangloriaram de os palestinos só haverem lhes causado 13 baixas. Atualmente, eles proclamam de forma alegre que o sistema anti-mísseis israelense impediu que os foguetes atirados pelos palestinos  matassem um só israelense. Mas, ainda assim, estão com sangue nos olhos para destruírem as vidas dos palestinos e suas propriedades numa escala massiva.

Os crimes de longa data dos sionistas israelenses são as violentas ocupações das terras da maioria dos palestinos, forçando-os a se enfurnarem em minúsculas glebas, como a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, e a se submeterem a grosseiras violações de direitos humanos. Na Faixa de Gaza, 1,5 milhão de palestinos estão enfurnados num minúsculo território de 350 quilômetros quadrados. A estratégia óbvia de Israel é impossibilitar a criação do Estado Palestino sitiando seus territórios com o uso da muralha do apartheid, assentamentos israelenses e ataques violentos, despojando-os de acesso ao mar e forçando a população a sair. 

O pretexto para as recentes atrocidades israelenses foi o sequestro e assassinato de três adolescentes israelenses num assentamento construído em terras griladas da Palestina. Sem apontar quaisquer provas, Netanyahu imediatamente culpou o Hamas e prometeu uma retaliação. O Hamas negou qualquer envolvimento com as mortes dos assentados israelenses. Netanyahu ignorou até mesmo o pedido da ONU para que provas fossem apresentadas.

Alguns palpitaram sobre a possibilidade de a morte de os três assentados israelenses ter sido na verdade uma falsa bandeira levantada pelos sionistas para justificar a última agressão contra a Palestina. Dado o histórico passado do uso de muitas falsas bandeiras para justificar a tão alardeada guerra ao terror e guerras de agressão contra países soberanos, tais palpites não podem ser descartados.

No abril passado, Fatah e o Hamas assinaram um acordo que pôs um fim à longa rivalidade entre ambos e se formar um governo unitário. Tal atitude levantou os cabelos dos sionistas e seus apoiadores em Washington. Os sionistas e seus apoiadores ocidentais morrem de medo de uma resistência palestina unificada contra a ocupação israelense. Eles farão tudo para sabotar quaisquer tentativas de unidade.

A mídia corporativa ocidental, como sempre, tem cumprido seu papel deplorável em justificar todas as agressões israelenses contra o povo palestino, até mesmo culpando as vítimas das atrocidades israelenses por seu próprio sofrimento. Dão coberturas por horas e horas na imprensa pela morte dos três assentados, enquanto ignoram propositadamente os brutais massacres em massa, bem como o falecimento de um adolescente palestino que morreu incendiado por assentados israelenses.

A hipocrisia sem limites dos políticos do Ocidente é completamente condenável. Obama denunciou a morte dos três adolescentes israelenses como um "ato insensível de terror contra jovens inocentes" (um dos três era um soldado no exército israelense". David Cameron tentou ir ainda mais além de Obama dizendo: "Este foi um ato apavorante e imperdoável de terror perpetrado contra jovens adolescentes. A Grã-Bretanha ficará ao lado de Israel já que esta procura trazer justiça para os responsáveis". Será mesmo que Obama e Cameron já condenaram o assassinato de uma criança ou adolescente palestinos de uma forma tão veemente?

As reportagens altamente tendenciosas por parte da mídia ocidental são igualmente condenáveis. Grandes monopólios da imprensa como a BBC dedicaram linhas e linhas e exaustivas reportagens para falar sobre a morte dos três assentados israelenses, incluindo entrevista com parentes em luto. Um grande canal de imprensa cobriu os funerais dos três mortos por mais de nove horas. Isso nunca aconteceu com as vítimas palestinas do terror israelense. 

A verdade nua e crua que não aparece nos meios da imprensa ocidental, é a de que, segundo uma única reportagem: "ao longo dos últimos 13 anos, em média, uma criança palestina foi assassinada por Israel a cada 3 dias. Desde a explosão da segunda Intifada em setembro de 2000, 1.523 crianças palestinas foram mortas pelas forças ocupantes israelenses. Assim, a proporção de crianças palestinas mortas comparativamente às crianças israelenses morta é de mais de 10 para 1."

A ILPS proclama, a nível global, todos seus comitês regionais, comitês nacionais, organizações membro, todas as forças aliadas, todos os amantes da paz que sejam paz e justiça para protestarem contra os últimos ataques e os massacres de longa data levados a cabo pelo regime sionista israelense contra o povo palestino, bem como contra o apoio dos governos ocidentais a estes. A ILPS apoia firmemente o povo palestino em sua luta para se libertar da ocupação e opressão sionistas e pelo estabelecimento de seu próprio Estado soberano.

escrito pelo
 Escritório do Presidente da Liga Internacional de Luta dos Povos
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Leia a nota original

sábado, 8 de março de 2014

Mulheres do mundo, uni-vos contra a globalização imperialista!

O imperialismo está destruindo a vida das mulheres. Está agravando a exploração das mulheres e intensificando os ataques sobre os direitos das mulheres. Através da quíntupla política neoliberal de rebaixar os salários, liberalizar, privatizar, desregulamentar e desnacionalizar, o imperialismo jogou por terras quaisquer ganhos que o movimento feminista conquistou em mais de um século de lutas. Tal é o contexto da comemoração do Dia Internacional das Mulheres deste ano.

Espalhados pelo caminho do neoliberalismo estão os corpos torturados de milhões de mulheres trabalhadoras massacradas pela extração capitalista monopolista dos superlucros. Terceirizações por parte de grandes corporações transnacionais rebaixaram os salários já baixos, com os países em desenvolvimento tentando sobrepujar-se uns aos outros oferecendo os menores salários possíveis com o fim de ultrapassar seus rivais nos contratos. Contratualização do trabalho, cotas maiores de produção, menores tempos de intervalo, e mais horas de trabalho tornaram-se a norma.

Com o objetivo de se reduzir os custos de produção, medidas de segurança são ignoradas. Operárias, com frequência, são trancafiadas em seus locais de trabalho para que não fujam, transformando fábricas em armadilhas de morte. Somente em 2013, milhares de operárias morreram incendiadas em fábricas das Filipinas e Bangladesh. O acontecimento mais devastador, contudo, foi o colapso de um edifício em Bangladesh, que matou mil operárias no setor de tecelagem. Tais fábricas manufaturam roupas de marca e são vendidas a altos preços nos Estados Unidos e União Europeia. 

A grilagem de terras e recursos naturais, acelerada pelas políticas neoliberais, deixou para centenas de milhões de mulheres camponesas e indígenas e suas famílias a condição de sem-terra, sem a mínima renda sequer para a compra de alimentos. Estima-se que cerca de 80 milhões de hectares de terras em muitos países da América Latina, África e Ásia foram sujeitas a acordos de grilagem, muitas vezes envolvendo os próprios governos de tais países. A mineração em grande escala destruiu o meio ambiente, tornando assim ainda mais fatais os desastres naturais, especialmente para as mulheres e crianças que constituem 70% das vítimas.

À base da globalização imperialista, estão milhões de mulheres vivendo em condições semelhantes à escravidão, enquanto que os imperialistas conseguem superlucros. São elas que ocupam o vazio criado pela privatização dos serviços sociais, tais como saúde e cuidados infantis. Num mundo com um crescente aumento dos preços dos alimentos e da segurança alimentar, são elas que tomam múltiplos trabalhos para alimentar suas crianças. A vulnerabilidade das mesmas à violência é aumentada pela crescente pobreza de suas famílias. 

O saque econômico e competições imperialistas são as razões por trás dos pivôs militares norte-americanos na Ásia e no Pacífico. Estes, por sua vez, deteriorarão no futuro a situação econômica dos povos da Ásia. As novas bases militares e a crescente presença de forças militares norte-americanas no continente colocarão ainda mais jovens mulheres e crianças asiáticas nas garras dos estupradores norte-americanos. 

As mulheres do mundo inteiro são levadas, por sua degradante situação, a se unirem e lutarem por seus direitos. De ano para ano, à medida que piora a crise global, o movimento feminino evoluiu em sua experiência e aumentou seu campo de ação. As mulheres estão lutando não somente por sua própria existência, como também pelas vidas de seus filhos e netos. Ultrajadas, as mesmas expõem e condenam de maneira vigorosa a demagogia de seus governos que tentam igualar as políticas neoliberais a desenvolvimento.

As mulheres estão nas linhas de frente dos protestos de massa e das demandas por democracia e anti-militarização, ou contra as políticas neoliberais, e pelas genuínas reforma agrária e industrialização nacional. De maneira crescente, as mulheres seguem ingressando em movimentos de libertação nacional como combatentes armadas. Constroem organizações de mulheres que são parte integrante da luta popular e intervêm em assuntos que são específicos do movimento feminino, como a violência contra as mulheres e a discriminação. Frente às manobras repressivas dos governos, as mulheres mostraram coragem e lutaram por seus direitos, mesmo que isso significasse perderem suas próprias vidas, integridade física e liberdade.

As mulheres estão se unindo a nível internacional numa demonstração de solidariedade sem precedentes contra o imperialismo. Estão se apoiando mutuamente em suas lutas. O mais recente exemplo de solidariedade foi mostrado pelas organizações de mulheres de toda a parte do globo, incluindo nos Estados Unidos, Europa e Canadá, para as operárias da tecelagem em greve no Camboja. Nos futuro, serão as bilhões de mulheres trabalhadoras, lutando ombro a ombro com seus irmãos trabalhadores em todas as partes do globo, que causarão o golpe de morte contra o imperialismo.

Mulheres do mundo, uni-vos!
Resistais ao saque imperialista e à agressão militar!
Combater e lutar pela libertação da mulher!

por Prof. José Maria Sison
Presidente da Liga Internacional de Luta dos Povos

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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

ILPS condena tentativa de golpe na Venezuela

A Liga Internacional de Luta dos Povos condena os Estados Unidos e seus fantoches venezuelanos por causarem escassez artificiais de certos produtos básicos e a inflação, incitando crimes e falsos protestos visando desestabilizar o governo bolivariano do Presidente Nicolas Maduro.

O esquema malicioso dos Estados Unidos e seus fantoches dirigidos por Leopoldo Lopez é criar condições para um golpe militar contra o governo legitimamente eleito no último mês de abril. O presidente Maduro tem razão em tomar as necessárias medidas contra os Estados Unidos e seus mal-feitores locais em tal esquema golpista.

Os comentários intervencionistas do secretário de Estado norte-americano, John Kerry, contra o governo de Maduro, é um ataque à soberania nacional e à independência da Venezuela, e expõe a mão suja dos Estados Unidos em causar escassez e inflação, e incitando gangues criminosas a atacarem prédios e funcionários do governo, ativistas bolivarianos e cidadãos comuns.

Os mesmos lacaios de extrema-direita dos Estados Unidos, como Leopoldo Lopez, falharam em concluir um golpe contra Hugo Chavez em 2002 e estão agora trabalhando, mais uma vez, numa conspiração para desestabilizar e derrubar o governo de Maduro.

Tais canalhas foram abertamente financiados pelo orçamento congressual norte-americano em milhões e milhões de dólares nos últimos 15 anos. Em 2014, do orçamento federal norte-americano, 5 milhões de dólares são destinados abertamente para apoiar atividades da oposição anti-bolivariana. Os fundos acobertados para tais atividades são ainda maiores.

A causa da violência nas ruas venezuelanas não é o governo de Maduro, mas os Estados Unidos e seus fantoches. O esquema inteiro de desestabilização e mudança do regime está sendo feito pelos Estados Unidos, e viola a soberania nacional e a independência da Venezuela, bem como a vontade democrática do povo da Venezuela.

Nós apoiamos completa e incondicionalmente a soberania nacional e a independência da Venezuela, e a escolha democrática do povo venezuelano que se levantou para defender o governo de Maduro. Demandamos que os Estados Unidos e seus lacaios parem de causar escassez e inflação, bem cometer crimes.

Chamamos todas as organizações-membro e aliados em todos os países para se levantarem em solidariedade ao povo da Venezuela, da América Latina, para defender o governo de Maduro e se opor ao imperialismo norte-americano e seus fantoches.

por Prof. José Maria Sison
Presidente da Liga Internacional de Luta dos Povos

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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

[ILPS] Sobre a crescente violência no Egito


Antes das supostas "primaveras árabes" de 2011, que pareciam varrer desde o Egito à Tunísia, os operários egípcios e seus sindicatos manifestaram suas insatisfações e demandas contra a crescente decadência das condições econômicas e sociais do Egito, como resultado da bancarrota e crise do sistema capitalista mundial e do sistema explorador egípcio, ditado pelo política econômica neoliberal pró-EUA.

A crise econômica e social foi o fator determinante pelo qual as amplas massas do povo foram aos milhões para as ruas. Elas denunciaram a elevada taxa de desemprego, o aumento dos preços de produtos básicos, a corrupção e o autoritarismo do regime de Mubarak. As massas reivindicavam democracia e melhores condições de existência. As forças de esquerda e democrático-liberais, principalmente os operários e a juventude, estiveram à frente das lutas de massas. Porém, a Irmandade Muçulmana também participou das ações de massa e foi, de fato, a maior força organizada contra o regime de Mubarak.

Quando a burguesia militar não tinha condições de impedir as enormes ações de massa que se iniciaram em 25 de janeiro de 2011, a mesma seguiu as instruções para destituir Mubarak e fazê-lo sair da presidência em 12 de fevereiro de 2011. Posteriormente, a Irmandade Muçulmana formou o Partido Liberdade e Justiça, e ganhou todos os votos nacionais desde 2011, incluindo a eleição de Mohammed Morsi para presidente em 2012. Por um período, os EUA imaginavam que teriam controle suficiente e direto sobre a Irmandade Muçulmana e, por meio de certos países do golfo, poderia dar ajuda financeira para aliviar a economia egípcia.

Mas a burguesia militar - construída por décadas como o setor mais poderoso das classes dominantes através da enorme assistência militar dada pelos EUA, desde quando Sadat deixou de ser apoiado pela URSS para ser apoiado pelos EUA - ficou a par das manobras da Irmandade Muçulmana para aplicar a Lei Sharia, fortalecer o Exército e a polícia e manter relações próximas com o Hamas. A Irmandade Muçulmana se fortaleceu na turbulência da Primavera Árabe e manobrou para forjar alianças com as forças da esquerda e da democracia liberal, na base de manter e construir um Estado democrático laico.

A burguesia militar deu permissão aos EUA para derrubar Morsi e formar uma presidência sob controle militar. O ministro da defesa, General Abdel Fatteh El-Sisi orquestou um golpe de Estado em 3 de julho de 2012, sob o uso do nome da democracia e do Estado laico, se utilizando de uma aliança temporária com as forças da burguesia liberal pró-EUA. Os EUA e seus fantoches desrespeitaram a eleição popular de Morsi como presidente, e consideraram ainda mais importante a manutenção da submissão do Estado egípcio aos EUA e Israel.

Porém, a Irmandade Muçulmana se opôs ao golpe militar, e se utilizou do slogan democrático do governo baseado em eleições democráticas, lançando também grandes demonstrações de massa a nível nacional. Os militares reagiram massacrando manifestantes, desmascarando o suposto clamor por "democracia" por parte deles. A burguesia liberal saiu frustrada, e seu melhor representante, Mohammed El Baradei, renunciou do governo. A burguesia militar se utilizou do terrorismo de Estado para reprimir a Irmandade Muçulmana. Os fantoches de Mubarak ocupam os conselhos de Estado e militares, e tem em vista soltar Mubarak da prisão.

As eleições deram à Irmandade Muçulmana uma justificativa para governar o Egito democraticamente, condenar a burguesia militar pelo golpe e pelos massacres, e para levar a cabo todas as formas de luta, incluindo os protestos de massa legais e a luta armada. A burguesia militar e a Irmandade Muçulmana estão envolvidas, atualmente, num processo de crescente violência, numa situação similar à que se passou na Argélia algumas décadas atrás, quando o Partido Islâmico foi impedido de emergir ao poder após ganhar as eleições.

Enquanto os EUA favorecem a burguesia militar e especulam que a Arábia Saudita e os emirados poderiam lhes dar apoio em tal situação, a Imrnadade Muçulmana possui autonomia e é favorecida pela emergência de Salafi e outras forças islâmicas, incluindo a Al Qaeda, nos países vizinhos. Durante um longo período que está por vir, os EUA e outras potências imperialistas enfrentarão uma situação difícil no Egito e no norte africano. 

É necessário para a ILPS entender a atual complexidade histórica e o caráter, as alianças e os antagonismos entre as principais forças políticas do Egito (a burguesia militar, a Irmandade Muçulmana e os defensores do Estado democrático e laico) e como os EUA tentarão manejar cada uma das ditas forças em favor do bloco de poder EUA-Israel. Mas, claro, devemos atuar no sentido de avantajar o papel das amplas massas do povo e das ainda pequenas forças revolucionárias da esquerda, no sentido de tomarem vantagem da turbulenta situação e se fortalecerem na luta contra o imperialismo norte-americano e todas as formas de reação.

Em 1952, a organização "Oficiais Livres" derrubaram o regime monárquico, adotaram o sistema republicano e libertaram o Egito do colonialismo brintânico. A organização era composta pela Irmandade Muçulmana, comunistas dispersos, burgueses liberais e pela elite militar. A organização pregava o sentimento de unidade nacional contra o colonialismo e a monarquia. Em 1954, Gamal Abdel Nasser liderou a elite militar para tomar o poder política após a renúncia do Presidente Mohammed Naguib e da fracassada tentativa de assassinato contra o primeiro.

A elite militar permaneceu indiferente, e ainda tentou ofender a Irmandade Muçulmana e as organizações de esquerda e liberais. Mas, em consequência da nacionalização do Canal de Suez em 1956 e da posição anti-imperialista de Nasser, as organizaçòes de esquerda se aliaram a ele, a despeito de sua aberta aversão aos comunistas. Em 1965, a Irmandade Muçulmana tentou derrubar a camarilha militar e fracassou. Os membros da Irmandade foram presos.

Em 1968, estouraram grandes demonstrações de massas e da juventude que reivindicavam democracia e lutavam de maneira corajosa contra Israel. Organizações de esquerda se aliaram à Irmandade Muçulmana, que continuaram a apoiar os protestos de massa em 1972 contra o regime de Sadat. As mesmas reivindicam a libertação de regiões que haviam sido ocupadas por Israel nas guerras precedentes. Em, 1972, Sadat firmou com sucesso uma aliança com organizações religiosas na luta a esquerda.

Em 1977, organizações de esquerda levaram a cabo massivos protestos por conta da alta dos preços sobre produtos básicos. Em 1981, um setor da Irmandade Muçulmana assassinou Sadat. Mubarak reagiou levando a cabo uma vilenta campanha de repressão contra a Irmandade Muçulmana e certos grupos religiosos considerados violentos. Nos anos de 1980 e 1990, Mubarak tentou apaziguar as principais organizações islâmicas e de esquerda, presenteando as primeiras com cargos no governo e permitindo às segundas uma limitada representação através de eleições parlamentares.

A elite militar se manteve no poder apresentando-se como uma força ora de esquerda e ora de direita e apelando para a identidade nacional egípcia, a identidade arábe e a cultura islâmica, longe, portanto de lutar pelo estabelecimento de um Estado laico. A elite militar aplicou o suposto "socialismo nasseriano" nos anos 60, e depois mudou para o capitalismo escancarado nos anos 70, quando Sadat e Mubarak romperam as próximas relações com a URSS e se aproximaram dos EUA. Desde então, os EUA impulsionou e desenvolveu uma burguesia militar através de enormes financiamentos militares e empréstimos estrangeiros, em troca de o Estado egípcio manter relações amistosas com Israel.

A Irmandade Muçulmana é a maior e mais forte entre as organizações islâmicas. Isso presume que o Egito está entre os Estados de enorme califado islâmico. A organização é conhecida por possuir um programa econômico distinto, e propõe uma mistura de valores reacionários com a solidariedade social. Recebeu apoio dos wahabis e influência dos países do Golfo, principalmente Arábia Saudita, durante um longo período, e tem se fortalecido pela emergência e fortalecimento dos partidos e organizações islâmicas que estão obsecadas com o estabelecimento de estados islâmicos na Ásia ocidental e na África.

Os comunistas egípcios estiveram em aliança tácita com o partido revisionista soviético e com partidos pró-soviéticos no Oriente Médio. Porém, se enfraqueceram após as medidas repressivas anti-comunistas por parte do governo nasserista e pós-nasserista, pela enorme influência da elite militar e da Irmandade Muçulmana entre a população e pelo descrédito e desintegração dos partidos revisionistas. Porém, ainda possuem influência entre sindicatos e círculos intelectuais.

Os comunistas possuem uma aliança efetiva com os líderes mais progressistas da burguesia liberal. A unidade com tais forças está baseada na defesa da democracia e do republicanismo contra o autoritarismo e a repressão e na defesa do Estado laico, contra a beatice religiosa e quaisuqer tentativas de se estabelecer a teocracia. Juntos, os comunistas e liberais burgueses anti-imperialistas possuem forte influência na opinião pública. Contudo, certos líderes liberais burgueses são pró-EUA e tendem a dar aos EUA uma direção no movimento democrático laico.

A burguesia militar permaneceu intacta, a despeito da derrubada de Mubarak pela chamada Primavera Árabe. A mesma exerce o controle sobre o Estado por meio do Conselho Supremo das Forças Armadas. Continuou a receber apoio e confiança por parte dos EUA por estabilizar a ordem política e social egípcia. Com o apoio dos EUA, a burguesia militar tornou-se capaz de fazer alianças com organizações liberais burguesas e se utilizar do slogan da democracia ao levar a cabo o golpe de Estado contra o presidente eleito Morsi, da Irmandade Muçulmana.

O golpe militar mostrou o que de fato foi pela prisão em massa de líderes e membros da Irmandade Muçulmana, pelos massacres contra pessoas protestando em apoio ao presidente Morsi, e pelas medidas repressivas que são, do mesmo jeito, contrárias às amplas massas do povo. A Irmandade Muçulmana formou uma ampla coalização para se opor ao golpe e à camarilha ditadora por meio da desobediência civil e ações de massa.

Os militares, a polícia e as gangues fascistas estão atacando violentamente os manifestantes. Fora das ações de massa, grupos anti-fascistas começaram a se engajar em ações armadas. Por um longo período que está por vir, haverá um sangrento conflito entre a burguesia militar e a Irmandade Muçulmana. Os EUA terão tempos difíceis no trabalho para encontrar uma solução que beneficie seus interesses durante o conflito entre as diversas forças.

Ao mesmo tempo, os verdadeiros comunistas e democratas devem defender os direitos nacionais e democráticos e os interesses do povo, aproveitar os conflitos entre as duas forças reacionárias e fortalecer as forças populares democráticas e anti-imperialistas. Ainda que levante a bandeira do Estado laico e da democracia contra a Irmandade Muçulmana, a burguesia militar e seus colaboradores civis somente servirão aos interesses do imperialismo norte-americano e da reação local.

por Professor José Maria Sison
Presidente da Liga Internacional de Luta dos Povos (ILPS)

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

[ILPS] Condenar e fazer oposição ao plano estadunidense de ataque à Síria como um ato de guerra de agressão!


Nós, da Liga Internacional de Solidariedade aos Povos (ILPS), convocamos a toda a Liga, seus comitês globais regionais, suas seções nacionais e organizações membros a tomar todas as ações possíveis e necessárias contra o plano dos Estados Unidos de bombardear a Síria e dar início a uma descarada guerra de agressão contra a Síria e o povo sírio.

Este chamado é consistente com a declaração de 12 de maio da ILPS, intitulado “A ILPS Reitera Seu Apoio ao Povo Sírio, Condena a Intervenção por Parte dos EUA, Israel, ET al”. Nesta declaração, nós apontamos que, “dada à ineficácia de seus mercenários, os EUA, na prática, anunciaram a escalada da intervenção dos EUA-OTAN e Israel, com base na acusação falsa segundo a qual a Síria está utilizando armas químicas de destruição em massa.”

Desde o dia 5 de maio, tem surgido evidência de que os próprios mercenários a soldo dos Estados Unidos foram os culpados pelo uso de armas químicas. As vítimas sobreviventes confirmaram o fato. Mas os Estados Unidos e o assim chamado Exército Livre Sírio persistiram em realizar operações de bandeira falsa com o uso de armas químicas a fim de justificar o bombardeio da Síria pelas forças dos EUA-OTAN e o início das agressões pelas potências imperialistas.

No último pronunciamento do Presidente Barack Obama foi dito que os EUA “trabalharam as evidências” e estão preparados para lançar um ataque militar à Síria. A julgar pelos seus pronunciamentos e ações, as forças dos EUA estão obcecadas em travar uma guerra de agressão contra a Síria no interesse da indústria bélica estadunidense e das companhias petrolíferas, não obstante a oposição dos povos do mundo.

Os Estados Unidos e seus aliados imperialistas mentem descaradamente ao alegar que visam proteger os civis ao conduzir sua “intervenção humanitária”, lançando mãos dos atos mais brutais de intervenção militar e guerras de agressão, causando morte e destruição em proporções infinitamente maiores do que seus mercenários são capazes. O governo sírio vem vencendo a guerra civil e os Estados Unidos fabricam as justificativas para a sua agressão a fim de auxiliar seus fantoches, já quase derrotados. Assim, os Estados Unidos violam flagrantemente as convenções da Carta das Nações Unidas e o direito internacional.

Os Estados Unidos agem de forma hipócrita ao acusar a Síria, de forma falsa e mentirosa, de utilizar armas químicas. Os Estados Unidos são os maiores usuários de armas químicas em suas guerras de agressão, fazendo uso de armas como napalm, fósforo branco e bombas similares, ogivas de urânio empobrecido e desfolhantes como o Agente Laranja. Até a presente data, os Estados Unidos não se retrataram ao Vietnam pelo uso extensivo do Agente Laranja, que continua a vitimar o povo vietnamita.

A ILPS em seu conjunto, seus comitês regionais globais, suas seções nacionais e suas organizações membros devem se empenhar em uma frente unificada contra o imperialismo e coordená-la com todas as outras forças possíveis a fim de despertar, organizar e mobilizar os povos aos milhões. Os povos em todos os países e em todo o mundo devem unir-se e tomar ação contra todas as intervenções militares e guerras de agressão que os Estados Unidos e seus aliados imperialistas planejam levar a cabo.

por Professor José Maria Sison
Presidente da Liga Internacional de Solidariedade aos Povos (ILPS)

Nota original em inglês

terça-feira, 20 de agosto de 2013

(MÚSICA) "Song of The League" - Anthem of the ILPS


SONG OF THE LEAGUE
Anthem of the ILPS

Music & Lyrics by Danny Fabella

From every corner of the world
We have come together.
We are bound by a great cause
For freedom, justice and peace.

Under the banner of the League
We all stand united,
As the struggle surges on
Of people against exploitation

Let us break the chain of oppression
Defeat the wars of aggression
With every stride, with every fight,
We shall change the world.

Dare to struggle, dare to win!
The torch of freedom blazing,
Wave by wave let's all march on,
Rage and seize the dawn.

Let us break the chain of oppression
Defeat the wars of aggression
With every stride, with every fight,
We shall change the world.

Let us break the chain of oppression
Defeat the wars of aggression
With every stride, with every fight,
We shall change the world.

Mensagem de Solidariedade da ILPS à Cúpula Antiimperialista


Aos delegados e delegadas da Cúpula Internacional dos Povos sobre a Defesa dos Direitos Humanos e a Vigência Plena dos Tratados e Convênios Internacionais que regem a convivência entre os Estados.

Em nome das organizações, movimentos e povos dos seis continentes que se organizam na Liga Internacional de Luta dos Povos (ILPS em sua sigla em inglês), saudamos em primeiro lugar a realização desta Cúpula Internacional, esperando que os trabalhos sejam exitosos e contribuam para a unidade e luta dos povos que lutam contra o imperialismo e o fascismo em todo o mundo.

Nós consideramos que, frente às agressões do imperialismo, é necessário dar uma resposta organizada, unitária e contundente; consideramos que a agressão que sofreu o Presidente Evo Morales Ayma, possui um significado internacional. Com os fatos do dia 2 de julho fica posto em evidência que os imperialistas e em particular os Estados Unidos, mantém uma dominação política, econômica e militar sobre muitos países do mundo, e que para conseguir se perpetuar como potência imperialista, utiliza todos os meios ao seu alcance ainda quando sejam violadores de tratados e convênios internacionais.

Com a crise econômica originada nos EUA em 2008, que muito rápido se estendeu a todos os países do mundo, a política imperialista se tornou mais agressiva, pretendendo descarregar todos os custos da dita crise sob as costas dos trabalhadores e os povos do mundo; aplicando medidas antipopulares e antioperárias para intensificar a exploração e aumentar o volume de mais-valia extraída, a qual fortalece um minúsculo grupo da oligarquia financeira internacional, e leva a ruína milhares de homens e mulheres de todo o planeta, ao mesmo tempo em que as principais potências imperialistas desenvolvem uma onda de intervenções militar e estão criando condições para uma nova guerra imperialista, que redefina a partilha do mercado mundial.

Porém os povos não cruzam os braços. De 2008 até agora, grandes levantes, greves gerais, rebeliões, mobilizações de rua, e todo tipo de manifestação ocorreram por todas as latitudes do globo terráqueo: Grécia, Espanha, Portugal, Itália, Tunísia, Líbia, Egito, Turquia, Brasil, Chile, Filipinas, Indonésia, Bangladesh, Estados Unidos, Canadá e México, desenvolveram os movimentos mais importantes nesse período. Com isso se ratifica que a luta dos operários, camponeses e juventude está vigente e que há a possibilidade de mudar o rumo da história de nossos países e de toda a humanidade.

Nesta agitada parte da história mundial, a América Latina é um grande exemplo, todos os seus povos formam parte de uma luta contra os mais de 500 anos de dominação espanhola, cerca de um século de dominação norte-americana, e agora mesmo, se enfrenta a intromissão de capital procedente de outras potências imperialistas. Porém ainda com toda essa ofensiva histórica sobre essa parte do mundo, não se nota de nenhuma maneira que se consolida essa dominação imperialista, ao contrário, o que agora se percebe é que se abre novamente uma nova etapa de ascensão da luta dos povos da América Latina, o que nos anima também a apoiar e fortalecer. Chile e Brasil são claros exemplos dessa nova etapa.

Em vários outros casos, esse ascenso do movimento na América Latina, logrou derrubar os governos pró-imperialistas e com muito entusiasmo e coragem os povos impuseram por força da unidade, a organização e a luta de massas, governos democráticos e popular, em particular são os casos da Venezuela e Bolívia; porém o que agora o imperialismo tem como objetivo claro, derrubar esses governos, para posicionar seus asseclas dentro desses países. Frente esses possíveis perigos, nós acreditamos que devemos dar uma resposta de maneira contundente e unitária. Somente o respaldo e a mobilização popular poderá enfrentar a ofensiva do imperialismo.

Rechaçamos firmemente a agressão sofrida pelo presidente Evo Morales Ayma, no último 2 de julho, nos opomos às intervenções imperialistas em qualquer país do mundo, lutamos e lutaremos sempre pelo direito a autodeterminação política, econômica, cultural e militar dos povos; nos opomos claramente à violação aos tratados e convênios internacionais, e mais ainda aos métodos ilegais utilizados pelos EUA, como a espionagem para manter o controle sob países aliados e não aliados.

Fazemos um chamado a todos os povos do mundo, a seguir trabalhando para construir espaços de unidade e luta a nível internacional. Consideramos que é fundamental unificar todas as lutas antiimperialistas, antifascistas, de defesa dos recursos naturais, dos que lutam contra as medidas anticrise, os que lutam por libertação nacional, os operários, os camponeses pobres, os movimentos das zonas urbanas, a juventude, os povos originários, os movimentos LGBT, todos devemos unificar-nos em torno da luta contra o imperialismo e por um mundo sem exploração e sem opressão.

A crise atual foi gerada pelos ricos e eles devem pagar, os povos do mundo não temos porque suportar sob nossas contas os custos dessa crise.

Que viva a solidariedade internacional!

por Professor Jose Maria Sison
Presidente da Liga Internacional de Luta dos Povos
31 de Julho de 2013

terça-feira, 23 de julho de 2013

ILPS adere às comemorações do 60º aniversário do ataque ao Quartel de Moncada em 26 de Julho


Nós, da Liga Internacional de Luta dos Povos (ILPS), nos juntamos ao povo cubano e a todos os outros povos na comemoração do sexagésimo aniversário dos ataques ao quartel de Moncada e à guarnição adjacente de Bayamo, em 26 de Julho de 1953. Os ataques foram realizados por cerca de 160 homens e mulheres, liderados por Fidel Castro e Abel Santamaria.

A intrépida ação fracassou, com dezenas de rebeldes assassinados e detidos. Porém, eles inspiraram uma campanha de guerra revolucionária, liderada pelo Movimento 26 de Julho. Isto culminou na insurreição popular que depôs, em 1º de Janeiro de 1959,  a ditadura de Batista, patrocinada pelos Estados Unidos.

As massas trabalhadoras de operários e camponeses cubanos desmantelaram o poder estatal dos grandes compradores, latifundiários e capitalistas burocráticos e estabeleceram um governo democrático. Desde então, o povo cubano tem defendido a sua independência nacional e sua revolução socialista contra o cerco econômico, político, militar e outras formas de ataque por parte do imperialismo dos Estados Unidos e seus fantoches.

Nós nos solidarizamos com o povo cubano e apoiamos o mesmo em sua luta revolucionária pela independência nacional e pelo socialismo. Nós os aplaudimos por manterem-se firmes contra a potência imperialista vizinha, levando adiante a causa da libertação nacional e social e, desta forma, inspirando os povos oprimidos e explorados a lutarem pela independência nacional, pela democracia e pelo socialismo.

Viva o espírito do 26 de Julho!
Viva a Revolução Cubana!
Viva a solidariedade internacional contra o imperialismo e todo tipo de reação! 


por Prof. José Maria Sison
Presidente da Liga Internacional de Luta dos Povos (ILPS)

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